21 nov

Demanda mundial por soja e os desafios para a produção nacional

No meio deste século, a demanda mundial por soja do planeta será de 700 milhões de toneladas de soja, o dobro da produção atual.

O Brasil, segundo maior produtor mundial da leguminosa, poderá aproveitar a oportunidade dessa crescente demanda mundial por soja se investir em pesquisa, infraestrutura e política agrícola, segundo a Embrapa. Essas são algumas observações de uma Nota Técnica (clique aqui) elaborada por pesquisadores da Embrapa que delinearam os principais desafios para a produção de soja, a mais importante cultura agrícola do País.

De acordo com os especialistas, os principais problemas a serem enfrentados são de ordem fitossanitária como ferrugem asiática, percevejos e nematoides que acometem a leguminosa. Os desafios também envolvem as plantas invasoras cada vez mais resistentes a herbicidas e o manejo do solo cuja degradação e perda de fertilidade provoca o encadeamento de uma série de problemas agronômicos como surgimento de doenças e pragas.

A Embrapa destaca também a importância de se investir em tecnologias voltadas à tolerância à seca e à eficiência hídrica. O aumento da frequência de extremos climáticos, com maior intensidade e abrangência, tem imposto prejuízos consideráveis à soja. Entre 2004 e 2014, somente a região Sul do Brasil registrou prejuízos de cerca de R$27 bilhões por causa de eventos de seca. Em 37 safras brasileiras, entre 1976/1977 e 2013/2014, estima-se que o País somou US$79,6 bilhões em perdas provocadas por seca.

O aumento de produtividade é outro desafio importante. Nesse quesito, os cientistas destacam que o Brasil já dispõe de tecnologia de cultivo que permite obter produtividade muito acima da média atual de 3.394 kg/ha. Clique aqui e confira dados da evolução da produtividade da soja no Brasil.

O Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb) registrou a produtividade de 8.944 kg/ha em uma propriedade no Paraná, volume próximo ao obtido por outros sojicultores da região, mostrando que há espaço para aumentar a produtividade. Para isso, os autores recomendam um esforço de transferência de tecnologia em larga escala.

“Um dos aspectos principais a considerar é a forma pela qual ocorrerá o aumento da produção, ou seja, com maior ou menor expansão de área cultivada. Países que optarem por incentivar o aumento da produtividade, consequentemente com menor demanda de expansão da fronteira agrícola, melhorarão sensivelmente sua posição no mercado, consequentemente sendo mais competitivo”, preveem os pesquisadores.

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